Natural de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, a árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos se tornou o centro de uma polêmica nacional após sofrer ataques machistas do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo Futebol Clube, resultado que eliminou a equipe do interior do Campeonato Paulista.

Revoltado com o resultado, o jogador criticou duramente a arbitragem em entrevista ainda no gramado, questionando a capacidade profissional de Daiane com base em seu gênero e sugerindo que partidas decisivas não deveriam ser comandadas por mulheres. As declarações repercutiram negativamente dentro e fora do futebol.
O episódio contrasta com a trajetória da árbitra sul-mato-grossense, marcada por pioneirismo e qualificação. Em 2020, foi a primeira mulher a apitar como árbitra principal no Campeonato Sul-Mato-Grossense masculino. Depois, transferiu-se para a Federação Paulista, passando a atuar também como árbitra de vídeo (VAR) em competições nacionais e internacionais.
Após a repercussão, o Red Bull Bragantino divulgou nota oficial repudiando as falas do atleta e pedindo desculpas públicas à árbitra e às mulheres. O clube informou que o jogador, acompanhado do diretor esportivo Diego Cerri, foi ao vestiário da arbitragem para se retratar pessoalmente e que estuda aplicar punições internas.
A Federação Paulista de Futebol também se manifestou, classificando as declarações como machistas e incompatíveis com os valores do esporte. A entidade afirmou que encaminhou o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva, que irá avaliar possíveis sanções, e reforçou apoio integral à árbitra de Três Lagoas.
João Maria Vicente
Foto- Redes sociais


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